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Forum Home > Assuntos vários > Compaixão e a prática de yoga

Alice
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Patanjali, no Yoga-Sûtra (I.33), aconselha-nos a termos compaixão - karuna - por aqueles que sofrem.

Ao certo o que é compaixão? Como desenvolver esta qualidade através da nossa prática de yoga?

Segundo o que aprendi, a compaixão envolve quatro fases:

- a primeira é tomarmos conhecimento de que a pessoa em questão sofre, sente algum tipo de dor (física ou não)

- a próxima etapa é conseguirmos nos pôr na pele da pessoa que sofre, para podermos sentir aquilo que ela sente, ou avaliar o que ela sente

- a terceira fase é talvez a mais difícil, porque implica sairmos do estado anterior de empatia com o sofrimento do outro e voltarmos a nós próprios. Se inicialmente não estávamos afetados pela dor, deveríamos poder voltar a este estado. Isto não deve ser confundido (embora muitas vezes seja…) com indiferença. Este voltar a nós próprios é necessário para podermos pensar claramente numa solução que pode ajudar a pessoa que sofre. O sofrimento, na maioria dos casos, tolda a compreensão do problema e diminui a possibilidade de encontrar soluções. A pessoa nestas circunstâncias tem tendência a ficar encerrada num círculo vicioso de pensamento.

- a última fase é realmente fazer algo que ajude a aliviar o sofrimento do outro, como apontar soluções.

Para aqueles que ensinam yoga e estão habituados a observar os praticantes, a primeira e segunda fases não são muito complicadas. Há muitos estágios com o objetivo de treinar as pessoas na prática da observação. Desenvolver este ponto aqui seria muito extenso e, afinal, o mais importante neste caso é mesmo o treino.

Parece então que a terceira parte é a mais difícil: ser capaz de voltar a si próprio. Este é um exercício de mudança de ponto de vista, mas para isso precisamos de uma certa flexibilidade mental.

Tal pode ser obtido através do uso de certos bhâvana durante a nossa prática de âsana e prânâyâma. Bhâvana é o que constitui o objeto da nossa atenção durante a prática de uma postura, por exemplo. O bhâvana é decidido antes da prática e pode ser aplicado a toda a prática ou pode haver diferentes bhâvana para diferentes exercícios. Por exemplo: o número de vezes que repetimos um exercício, o número de respirações que fazemos numa postura em estática, os lugares do corpo onde vamos sentir a inspiração e/ou a expiração, como nos relacionamos com o chão, como coordenamos os nossos movimentos com a respiração, etc. Há bhâvana muito complexos… A mudança frequente de bhâvana não só mantém a nossa tenção captada, mas também treina a nossa mente para perceber o mesmo exercício físico de maneiras diferentes.

 

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June 12, 2014 at 6:15 PM Flag Quote & Reply

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